quarta-feira, 24 de março de 2010
Comunicação Tem Remédio: A Comunicação nas Relações Interpessoais em Saúde
Maria Paes da Silva, São Paulo, Ed. Gente 6º edição 1996
* Paulo André Céo Rosa - 2001
1) Introdução
Somos por excelência seres de comunicação. No encontro comunicativo com os outros, nós descobrimos quem somos, nos compreendemos, crescemos em humanidade, mudamos para melhor e nos tornamos fator de transformação da realidade em que vivemos. Isso significa, simplesmente, viver em estado de graça, com paixão pelas pessoas e pela vida.
A comunicação não se constitui apenas na palavra verbalizada. Temos de aprender a ser artistas, no sentido de captar as mensagens, interpretá-las adequadamente e potencializá-las criativamente. É o tesouro da linguagem verbal e não verbal que precisa ser descoberto e lapidado.
2) Comunicação interpessoal
"É impossível não se comunicar: Ativamente ou inativamente, palavras ou silêncio, tudo possui um valor de mensagem".
A comunicação interpessoal ocorre no contexto da interação face a face. Entre os aspectos envolvidos nesse processo, estão as tentativas de compreender o outro comunicador e de se fazer compreendido. Nesse processo, incluem-se ainda a percepção da pessoa, a possibilidade de conflitos (que pode ser intensificado ou reduzido pela comunicação) e de persuasão (indução a mudança de valores e comportamento).
A percepção pessoal funciona como uma espécie de filtragem que condiciona a mensagem segundo a própria lente. Ouvimos e vemos conforme a nossa percepção. Assim, um indivíduo não pode não comunicar.
Podemos dizer, então, que comunicar é o processo de transmitir e receber mensagens por meio de signos, sejam ele símbolos ou sinais.
Signos, são estímulos que transmitem uma mensagem; qualquer coisa que faça referência a outra coisa ou idéia. São convencionais e arbitrários.
Símbolos, são signos que têm uma única decodificação possível.
Sinais, são signos que têm mais de um significado.
As finalidades básicas da comunicação são entender o mundo, relacionar-se com os outros e transformar a si mesmo e a realidade. A comunicação é, antes de mais nada, um ato criativo.
3) Tipos de comunicação
Comunicação verbal, refere-se às palavras por meio da fala ou escritas.
Comunicação não-verbal, não está associada às palavras e ocorre por meio de gestos, silêncio, expressões faciais, postura corporal etc.
Sabemos que na interação face a face o códigos de comunicação são auditivos e, também, visíveis e sensíveis. Comunicamo-nos com a linguagem verbal, ou seja, com os sons emitidos pelo aparelho fonador e com o corpo todo, inclusive com os objetos e adornos utilizados.
Estudos feitos sobre a comunicação não-vebal estimam que apenas 7% dos pensamentos (das intenções) são transmitidos por palavras, 38% são transmitido por sinais paralingüísticos (entonação de voz, velocidade com que as palavras são ditas) e 55% pelos sinais do corpo.
A nossa dificuldade é aprender como o silêncio pode ser terapêutico e nos proporciona a possibilidade de exercitar mais a faculdade de observação, principalmente no que diz respeito aos sinais não-verbais. Diz um provérbio indiano, que quando pensarmos em falar algo, cuidar para que nossas palavras tenham maior valor que o nosso silêncio.
4) A linguagem do corpo: cinésica
"Erguemos a sobrancelha por incredulidade. Esfregamos o nariz por atrapalhação. Cruzamos os braços para nos proteger. Encolhemos os ombros por indiferença, piscamos os olhos por intimidade, batemos os dedos por impaciência, batemos na testa por esquecimento."
Pressupostos básicos para a compreensão da cinésica:
1. Nenhum movimento ou expressão corporal é destituída de significado no contexto em que se apresenta.
2. A postura corporal, o movimento e a expressão facial são padronizados, ou seja, culturalmente determinados.
Normalmente, é pela cultura que se identificam determinadas mensagens. Por exemplo, quando um árabe arrota à mesa, significa que sentiu prazer pela comida ingerida.
3. A atividade corporal visível, assim como a atividade fonética audível influenciam o comportamento dos outros membros de um grupo. É a sincronia da comunicação, ou seja, uma exerce influência sobre a outra.
4. Determinado comportamento, ou seja, a atividade corporal visível, encerra significados socialmente reconhecidos e válidos. Os sinais identificados pela pessoa são igualmente captados por seu grupo. Por exemplo, em um velório existe um comportamento cultural esperado por partes das pessoas presentes.
Categorias gestuais básicas
Podemos classificar os gestos humanos em cinco categorias:
1. Emblemática; são gestos culturais, aprendidos, e admitem transposição oral direta. O gesto de dar uma banana indica desafio, a figa representa torcida ou esperança.
2. Ilustrados; são gestos aprendidos por imitação. Acompanham a fala, enfatizando a palavra ou a frase como se desenhassem a ação descrita. Quando alguém diz: "pesquei um peixe bem grande!", e o gesto da mão acompanha o bem grande.
3. Regulador; são gestos que regulam e mantêm a comunicação entre duas ou mais pessoas. O meneio positivo da cabeça reforça a continuidade da fala do outro.
4. Manifestação afetivas; são configurações faciais que assinalam estados afetivos. Podem ser consciente ou não.
5. Adaptadores; funcionam como "muletas", isto é, são partes do nosso corpo que usamos para compensar sentimentos como insegurança, ansiedade e tensão. Exemplo: roer unha, mexer no bigode ou adaptadores objetuais, brincar com jóias, cigarro, lápis, etc.
Concluindo
Sabemos que a comunicação não tem conclusão, ela é um eterno evoluir, vale a ressalva ou a consideração de que é difícil se tratar da comunicação não-verbal por meio da comunicação verbal. Isso implica dificuldades, já que a comunicação não-verbal também se realiza fora do alcance da consciência. Um dos objetivos é trazer a consciência essa linguagem silenciosa.
Termino contando um estória: Um monge zen que passou dez anos meditando em sua caverna, procurando descobrir o caminho da verdade. Certa tarde, enquanto orava, um macaco se aproximou.
O monge tentou concentrar-se. O macaco, porém aproximou-se de mansinho e pegou a sandália do monge.
"Macaco danado!", disse o ermitão. "Porque veio perturbar as minhas orações?"
Disse o macaco, "estou com fome".
"Vá embora! Você atrapalha a minha comunicação com Deus!"
Perguntou o macaco, "Como pretende isso, se não consegue comunicar-se com os mais humildes, como eu?"
E o monge, envergonhado, pediu desculpas.
* Paulo André Céo Rosa - 2001
Resumo do documento 59 - Igreja e Comunicação rumo ao Novo Milênio
* Wellington Heleno da Silva - 2001
Introdução
O documento nasceu a partir das reflexões da 35ª Assembléia Geral da CNBB, realizada de 09 a 18 de abril de 1997, cujo tema central foi o da comunicação na Igreja. Nesta ocasião a própria Assembléia elaborou uma lista de conclusões, de propostas e de compromissos concretos, para orientar a ação pastoral dos Bispos e de toda a Igreja Católica no Brasil no campo da comunicação.
O documento começa chamando a atenção para que todos os comunicadores tenham Jesus, o Supremo comunicador do Pai, como modelo básico para todos os projetos de comunicação na Igreja.
A arte de comunicar é parte constitutiva da Igreja, é uma ordem de Jesus para todos os batizados para proclamarem a Boa Nova: "Ide ao mundo inteiro, proclamai o Evangelho a todas as criaturas" (Mc 16,20).
O documento propõe rever os modelos e práticas de comunicação da Igreja como também o uso dos instrumentos ou meios de comunicação na tarefa evangelizadora, e assume os seguintes compromissos:
1 - Espiritualidade do comunicador cristão
A espiritualidade do comunicador cristão deve ser mais desenvolvida e fundamentada no exemplo de Jesus Cristo. O comunicador cristão é um ser em relação com Deus, que coloca suas habilidades e seus conhecimentos técnicos no campo do manejo dos instrumentos da informação a serviço da pastoral de conjunto.
É necessário que a Igreja dê especial assistência espiritual a comunidades de comunicadores, procurando, sempre, favorecer a união dos comunicadores, evitando que trabalhem isoladamente. E também valorizar a celebração do Dia Mundial das Comunicações.
2 - Fundamento ético para a Pastoral da Comunicação
Assembléia propõe eleger o tema da ética da comunicação como campo de preocupação permanente, promovendo estudos e debates; como também dedicar especial atenção ao tema das políticas públicas e da legislação no campo da comunicação social e incentivar as pesquisas em torno do pensamento dos documentos da Igreja sobre as teorias e pesquisas científicas na área.
3 - Protagonismo dos leigos no campo da comunicação
A Igreja deve promover uma maior inserção de leigos e leigas no campo das comunicações, levando em conta a potencialidade que geralmente têm de dialogar com os meios de comunicação.
4 - Comunicação Institucional da Igreja
Em relação à própria comunicação da Igreja a Assembléia se propõe:
- promover uma comunicação transparente e respeitosa no espaço das comunidades;
- fazer um levantamento das formas de comunicação existentes nas Dioceses e nas paróquias;
- conhecer as experiências de pastoral da comunicação de outras Conferências Episcopais;
- desenvolver projetos que permitam uma maior aproximação ao homem contemporâneo, à sociedade e à opinião pública;
- dar especial atenção à cultura brasileira e seus agentes de criação, veiculação e consumo de bens simbólicos para detectar a melhor maneira de promover a evangelização inculturada;
- cuidar da imagem pública da Igreja, uma vez que sua aceitação e reconhecimento por parte dos vários segmentos da sociedade dependem da forma como se apresenta e da credibilidade que alcança junto ao público;
- utilizar as ferramentas do marketing e das relações públicas.
5 - Modos de Comunicação nas Comunidades
A Igreja deve criar instrumentos que garantam um processo de comunicação participativo e circular; valorizar a presença na comunidade local de pessoas com formação especial no campo da comunicação.
No campo da catequese é necessário capacitar os catequistas como comunicadores, aproximar a catequese dos meios massivos de comunicação para o desenvolvimento de projetos de catequese à distância e incluir a análise das mensagens produzidas.
A Assembléia destaca que um dos espaços privilegiados de comunicação é o encontro litúrgico semanal, assim a equipe litúrgica deve ter cuidado com a linguagem. E utilizar recursos e técnicas de comunicação para dinamizar as liturgias.
6 - Formação dos Comunicadores
É necessário a definição do campo do agente da pastoral da comunicação reconhecendo a sua especificidade da pastoral da comunicação como espaço de atuação, na pastoral de conjunto. E reconhecer a importância da assessoria de profissionais da comunicação social em campos como os do planejamento.
Em nível diocesano preparar pessoas que entendam e saibam utilizar e trabalhar com as novas tecnologias da comunicação; organizar cursos de formação para a pastoral da comunicação e dar prioridade à produção de livros e outros subsídios, relacionados à comunicação.
A Igreja deve estar atenta às perspectivas que se abrem no campo da educação a distância.
7 - Planejamento da comunicação
O planejamento da comunicação da e na Igreja supõe uma pesquisa a respeito daquilo que o povo pensa da Igreja. E reavaliar os projetos, as produções e os programas das várias pastorais com o objetivo de adequar as suas linguagens.
É necessário promover uma eficaz política de investimento patrimoniais para a comunicação. Criar equipes de pastoral da comunicação nos Regionais, Dioceses e paróquias, como também buscar assessorias especializadas no planejamento da comunicação da Igreja.
A Assembléia propõe, em nível nacional, um projeto concreto de informatização das Dioceses e também a criação de um assessoria de imprensa em todas as Dioceses.
8 - Igreja e os Modernos Meios de Comunicação
Os meios de comunicação segundo o documento e o modo de utilizá-los são:
- imprensa escrita: aproveitar os espaços disponíveis na imprensa local, manter e melhorar impressos existentes nas comunidades e dioceses, utilizar os outdoors para mensagens de campanhas e criar em nível nacional um agência de notícias cristãs.
- Cinema/Vídeo: buscar a conjunção de forças e esforços entre as produtoras de vídeo, visando melhor qualidade, promover o lançamento de vídeos como subsídios para as homilias e a catequese e organizar cursos para leitura crítica de vídeos e filmes.
- Rádios comerciais, educativas e comunitárias: priorizar o rádio como instrumento de evangelização, criar assessoria especializada, buscando a profissionalização dos agentes das emissoras católicas.
- Televisão: implementar uma política de aproximação ao mundo da televisão, desenvolver um trabalho de cooperação entre as TVs Educativas e sugerir a ampliação do leque da grade de programação da Rede Vida.
- Telemática: usar a informática e os recursos mais avançados da comunicação visual e auditiva na pastoral e, inclusive, na liturgia e investir para a informatização dos dados administrativos da cúria e paróquia.
Conclusão
A leitura do Documento 59 - Igreja e comunicação rumo ao Novo Milênio foi bastante interessante para mim, pois me ajudou a compreender melhor o que a Igreja pensa sobre a área da comunicação e quais são as suas orientações e incentivos para que se desenvolva uma verdadeira pastoral da comunicação na Igreja do Brasil.
Tanto a leitura do documento como também as aulas ministradas no curso de pastoral da comunicação contribuíram na minha formação presbiteral, que em linhas gerais destacaria duas coisas: primeiro o fato de quebrar um certo preconceito em ralação à área da comunicação ou até mesmo medo, principalmente, quando se fala em "marketing religioso", que creio eu nem sempre é entendido de um modo correto, mas que bem entendido não devemos deixar de usá-lo na Igreja. E a segunda coisa é que precisamos estar sempre se atualizando na área da comunicação, pois para se comunicar hoje tanto para pequenos ou grandes grupos devemos utilizar uma linguagem que seja compreensível, tendo em vista, que falamos para uma geração em que internet, celular, satélite, etc fazem parte da sua vida diária.
* Wellington Heleno da Silva
COMO EU IMAGINO A PASTORAL DA COMUNICAÇÃO [PASCOM] NA MINHA COMUNIDADE PAROQUIAL...
* Antonio Célio Costa Francisco - 2002
Objetivo
A Pastoral da Comunicação (PASCOM) tem como escopo a facilitação e a transmissão do conteúdo do evangelho, visto que qualquer pastoral não tem seu fim em si mesmo, mas em seu movente: o Evangelho. Nossa preciosa PASCOM não é diferente de qualquer outra.
Projeto
A Atuação da PASCOM , em nossa comunidade será dividida em dois momentos distintos, porém complementares. O primeiro, quanto a sua funcionalidade, isto é, trata de questões emergentes e corriqueiras. O segundo, quanto à formação composto de dupla função: a) formação e capacitação de agentes; b) transmissão dos valores evangélicos mediante as variadas formas do processo comunicativo.
Funcionalidade da Pastoral da Comunicação:
· Mural
· Avisos
· Jornal Trimestral
· Arquivo fotográfico
· Internet (home-pages, e-mails, etc...)
Incidência formativa da Pastoral da Comunicação
· Elaboração de jornal;
· Como organizar reuniões;
· Como falar e ler em público (Iniciação à arte de falar - Retórica);
· Diretrizes e oficinas de Teatro;
· Dinamização e transmissão dos conteúdos catequéticos;
· Oficina de expressão corporal e dança;
· Programação de cine-foruns na comunidade cristã.
Operacionalização do Projeto
Nosso projeto contará com duas fontes de contribuição: a primeira diz respeito à formação, ofereceremos oportunidades para estagiários das faculdades de comunicação social, marketing, Rádio e TV, Artes Cênicas. Nosso contrato será de caráter voluntário, porém todos contarão com ajuda de custo como alimentação e transporte, além de serem acompanhados de perto pelo responsável paroquial que atestará junto às suas instituições de origem o serviço prestado à comunidade civil. Bem como convênios com instituições culturais, comércio especializado para as áreas da comunicação.
A segunda fonte para nosso trabalho pastoral será despertar o protagonismo pastoral dos paroquianos que serão estimulados a participarem deste amplo movimento que não tem em vista somente o bem da paróquia, mas a proclamação do evangelho para quem forma e para quem é formado, bem como, o conhecimento e capacitação humana que cada qual levará consigo para sua vida.
Estratégias
1. Anúncio via jornal e internet para estagiários das universidades acima mencionadas;
2. Arrumação de ambientes para os projetos acima mencionados;
3. Elaboração com assessoria jurídica do contrato voluntário para estagiários;
4. Elaboração de projetos para diversas universidades ou faculdades, e também para comércios especializados da área de comunicação;
5. Elaboração de projetos para convênios com entidades que possam contribuir com materiais especializados para as atividades (como gráficas, locadoras, companhias de teatro, escolas de informática, lojas de roupas e sapatos, etc.);
6. Apresentação e divulgação do projeto como dos colaboradores à toda comunidade paroquial.
* Antonio Célio Costa Francisco
Como poderei organizar a pastoral da comunicação na paróquia
* Alcimar Fioresi - 2002
Introdução
Nós ainda não estamos suficientemente convencidos de que a comunicação é fundamental para a evangelização nos dias de hoje, seja em seu aspecto "para fora" seja também "para dentro" da comunidade eclesial. Esta não compreensão do valor da comunicação como um todo (e não apenas dos MCS) tem dificultado a organização da Pastoral da Comunicação nas paróquias, setores e regiões, tendo como conseqüência uma certa fragilidade na Igreja que não lhe permite lançar-se em vôos mais altos, mais ousados e, também, mais producentes e eficazes.
Neste trabalho procurarei mostrar como poderei organizar a pastoral da comunicação na paróquia. Para isso começarei conceituando a Pastoral da Comunicação, depois analisarei brevemente a pastoral na Igreja e a partir daí como poderei iniciar a pastoral na paróquia através da formação de uma equipe própria e de algumas pistas para a comunicação interna na comunidade. Finalmente mostrarei várias propostas de atividades e os meios de organização da pastoral da comunicação.
Estamos na "era da informação". "Evangelizar é comunicar", diz o Documento de Puebla. A comunicação é prioridade para a Igreja Católica. Fala-se em "nova pastoral", a Pastoral de Comunicação. Os bispos brasileiros, no documento 59 - Igreja e Comunicação Rumo ao Novo Milênio -, estabeleceram a meta de "implantar até o ano 2000 uma equipe de Pastoral de Comunicação em cada paróquia". Que a comunicação seja prioridade em nossa Igreja. Vamos a obra!
1. Pastoral da Comunicação
Pastoral da Comunicação é a ação organizada, em diversos níveis (comunidade, paróquia, diocese...), em vista da comunicação interna da Igreja, como um todo, e a sua comunicação externa através de diversos meios de comunicação da sociedade. A Pastoral da Comunicação, na dimensão interna, é a atitude e o processo de ser e estar em comunicação através da produção e circulação de bens simbólicos que tornam possível o inter-relacionamento e o diálogo entre pessoas, grupos, serviços, organismos e comunidades. Em segunda instância, a Pastoral de Comunicação envolve os meios de comunicação social e a relação com os empresários, profissionais e trabalhadores destes meios. A Pastoral de Comunicação desenvolve ações que colocam a paróquia em comunicação, entre suas comunidades, grupos, pastorais, organismos e agentes nos múltiplos processos comunicacionais, como catequese, visitas, homilias, reuniões, festas, liturgias, ações conjuntas, assembléias, pastorais...
2. A Pastoral da Comunicação na Igreja
Podemos destacar tendências importantes para a Pastoral da Comunicação. No Brasil a comunicação está em movimento, são muitas as vertentes, porém podemos destacar dois aspectos que tem mais influenciado a Pastoral da Comunicação:
1. Crescimento do interesse pelo Rádio e pela Telemática
2. Cresce a relação entre Comunicação e Educação.
Dentro da Igreja podemos destacar as seguintes tendências:
3. Persistem na Igreja certas estruturas e atividades que não favorecem a comunicação dialógica.
4. Cresce na Igreja o interesse pelo Processo da Comunicação superando aos poucos a visão de simples posse dos meios.
5. A motivação gerada pelo "Projeto Rumo ao Novo Milênio" favoreceu a criatividade na comunicação.
6. Começa a crescer na agenda de discussões das Pastorais Sociais e das CEBs a presença do tema da Comunicação como Direito e como Dimensão da Pessoa.
7. O crescimento da presença da Renovação Carismática Católica nos meios de comunicação vem ampliando a força de seu modelo da Igreja;
8. Estão sendo constituídas Equipes de Pastoral da Comunicação em toda a Igreja do Brasil com a presença de profissionais;
9. Aumenta a presença dos jovens na Pastoral da Comunicação.
3. Como Iniciar a Pastoral na Paróquia
Depois de analisarmos de maneira bem resumida o significado e a tendência da pastoral de comunicação no Brasil; vamos agora, analisar de forma sintética algumas linhas que podem ser usadas para iniciar a pastoral da comunicação na paróquia. Pois para organizar a pastoral, primeiramente devemos iniciá-la na paróquia.
O documento 59, nº 12, propõe a necessidade de revisão das formas e posturas de comunicação no espaço das comunidades, paróquias e Diocese, na perspectiva de um processo de avaliação permanente. É por aí que começa, normalmente, a missão da Pastoral de Comunicação.
3.1- Equipe de Pastoral de Comunicação na Paróquia
1. A equipe, mesmo pequena, deve estar articulada com comunidades, serviços, pastorais e organismos existentes na paróquia e fazer plano de ação.
2. A relação de amizade e valorização de todos e de cada pessoa da equipe, em vista das diversas qualidades e carismas, é importante.
3. O contato e a articulação com comunidades, pastorais, coordenação geral da paróquia e pároco é fundamental para a Pastoral da Comunicação encontrar seu sentido.
4. A equipe, nas atividades e iniciativas que desenvolve, deve ter em vista sempre o crescimento da comunidade.
5. O levantamento das formas de comunicação existentes na paróquia - na perspectiva de um processo avaliativo e de uma maior dinamização - é uma das primeiras tarefas da equipe.
6. Conhecer experiências de Pastoral de Comunicação de outras paróquias ajuda a iniciar o trabalho da Pastoral de Comunicação.
7. Responder a consultas de comunicação interna da Igreja é uma das tarefas da equipe.
8. Buscar formas de ajudar a melhorar a comunicação na catequese, nas celebrações e nos diversos processos comunicacionais da Igreja é desafio da equipe paroquial de Pastoral de Comunicação.
3.2- Pistas para a Comunicação Interna na Paróquia
A seguir são elencadas algumas pistas para sustentar a comunicação interna na paróquia, a dimensão primeira da Pastoral de Comunicação:
· Constituir pequena equipe de Pastoral de Comunicação.
· Ver e discutir o vídeo Paróquia em Comunicação (Paulinas).
· Conversar com as pastorais, grupos e organismos da paróquia para saber suas expectativas e necessidades quanto à comunicação e ver como encaminhá-las.
· Preparar equipe de visita às casas, não só para visitar doentes, mas para informar, motivar e convidar as pessoas para eventos e iniciativas da paróquia ou comunidade e manter relação permanente com elas.
· Constituir e animar equipe permanente de acolhida para as celebrações e os encontros.
· Organizar, na paróquia ou comunidade, mural com notícias da comunidade, paróquia, diocese e Igreja em geral.
· Estudar possibilidade de ter vídeos, fitas, revistas, livros para exposição, empréstimo ou venda na paróquia.
· Criar pequenos veículos de comunicação paroquial, tais como boletim ou jornal paroquial, programas de rádio.
· Criar e manter atualizado arquivo de notícias referentes à paróquia e suas comunidades.
· Organizar cursinhos de comunicação nas paróquias e comunidades.
· Fazer oficinas de leitura crítica da comunicação sobre jornais, revistas, livros, programas de rádio e televisão.
· Incentivar pessoas, especialmente os membros da equipe de comunicação, a participarem em cursos diocesanos de agentes da Pastoral de Comunicação.
· Procurar assessoria diocesana para a Pastoral de Comunicação na paróquia.
4. Propostas de Atividades para Organização da Pastoral
Poderíamos elencar algumas propostas e atividades que podem ser empregadas na paróquia para que a pastoral da comunicação consiga bons progressos e que os paroquianos tomem gosto pela presença e atuação da mesma na comunidade:
· Incentivar a formação de equipes paroquiais de Pastoral da Comunicação e colocar-se a serviço dela.
· Planejar e avaliar os trabalhos de comunicação realizados nas Paróquias e Comunidades.
· Organizar e divulgar eventos relativos à Comunicação e aos Meios de Comunicação Social, tais como encontros, cursos, treinamentos, retiros espirituais, etc.
· Divulgar e estimular a participação dos leigos em cursos promovidos por Centros especializados em formação para comunicadores cristãos (Sepac, Celam e outros).
· Incentivar a revisão e o planejamento das formas de comunicação interna da Igreja.
· Promover cursos de leituras críticas e dos MCS; de capacitação técnica para atuar nos MCS ou para criá-los, desenvolvê-los nas comunidades paroquiais (boletins, painéis, cartazes, vídeos, teatros, etc).
· Oferecer formação para o desenvolvimento de uma postura acolhedora por parte de todos.
· Valorizar o Dia Mundial das Comunicações e outras datas relativas à Comunicação e aos Comunicadores.
· Atuar junto aos meios de comunicação presentes na comunidade para servir-se deles no trabalho pastoral e para transformá-los em vista da sua função frente às pessoas e a sociedade.
· Ouvir os profissionais dos MCS presentes na comunidade acerca da comunicação da e na Igreja (interna e externa), contando com assessoria técnica dos mesmos para a obtenção de melhores resultados.
5. Meios para Organizar a Pastoral da Comunicação na Comunidade
· Elaborar um cadastramento (banco de dados) de todas as pessoas: dizimistas, agentes de pastoral, membros da comunidade, pais de catequizandos, grupos de oração, participantes de retiros e outras atividades, de forma a poder enviar notícias pelo correio e possibilitar integração.
· Estimular assinaturas de revistas, jornais e periódicos de orientação cristã. Organizar e divulgar uma biblioteca e videoteca.
· Formar uma equipe de comunicação com membros das comunidades e pessoas interessadas.
· Publicar no Boletim da paróquia informações de eventos e atividades dos serviços existentes.
· Adquirir multimeios, como vídeo, telão, projetores de slide e transparência, etc que venham ajudar na divulgação, bem como na prestação de serviços e cursos. Estes recursos poderiam ser alugados de forma a gerar recursos próprios para sua própria manutenção e expansão.
· Buscar recursos que financiem o serviço de comunicação e a aquisição dos meios. Divulgar os recursos físicos (imóveis) da Igreja para fins de locação como por exemplo o salão (uso para ginástica, palestras, feiras, eventos...).
· Expor o Projeto de Evangelização da paróquia às comunidades que assim o desejarem.
· Criar uma equipe de artes, da qual participem pessoas com talentos em artes musicais, plásticas, cênicas e das letras, para criar contos, painéis, subsídios, etc. que contribuam para o tema do ano.
· Criar um personagem símbolo para veicular no boletim informativo paroquial o andamento do projeto, procurando estimular e conscientizar as pessoas ao engajamento.
· Ampliar outros meios de comunicação e buscar estar presente em novos meios como a Internet.
· Produzir folhetos explicativos, didáticos e pedagógicos sobre as Pastorais e situações particulares da vida.
Conclusão
O comunicador cristão, como um ser em relação com Deus e voltado para seus irmãos, em permanente espírito de acolhida, coloca suas habilidades e conhecimentos técnicos a serviço da pastoral de conjunto e das diversas áreas pastorais da Igreja (Documento 59 da CNBB, nº 3).
Todos os pontos sugeridos neste trabalho são verdadeiros desafios para empregá-los na pastoral da comunicação na paroquia. Sabemos que existe muitos outros desafios que aparecem na elaboração de uma pastoral tão importante na Igreja. Procurei simplesmente mostrar neste trabalho que toda paroquia necessita desta pastoral e principalmente precisamos de cristãos comunicadores que saibam proclamar a pessoa de Cristo dentro e fora da Igreja.
A Pastoral da Comunicação serve para motivar o sucesso na realização dos projetos paroquiais. Serve para criar rede, organizando e animando a comunidade, liturgia, catequese, dízimo, tudo e todos. Serve para dar a palavra ao povo, estimulando a participação e a produtividade na paróquia. A Pastoral da Comunicação serve para dar sentido à vida pessoal e à vida paroquial. Pois sentido é rumo, direção, o motivo de viver.
Bibliografia
DOCUMENTO DA CNBB 59: Igreja e Comunicação Rumo ao Novo Milênio.
www.cnbb.org.br/documentos/doc59.doc
APOSTILA. Pastoral da Mídia - Brasil - Ano 2002. Pe. Lourenço Mika -
São Paulo.
ARTIGO: Como Iniciar a Pastoral de Comunicação na Paróquia -
http://diocese.pelotas.tche.br/pascom.htm
* Alcimar Fioresi - 2002
CURSO DE PASTORAL DA MÍDIA
- Teoria: com apostila própria
- Prática: para turmas de 10 a 50 participantes
Nota - Cada curso da lista abaixo
varia de 5 a 40 horas/aula:
* Processo da Comunicação
1 - Áreas de Atuação da Pastoral da Comunicação
2 - Descobrir a Comunicação ao Nosso Redor
3 - Tipos de Comunicação
4 - Considerações sobre a Comunicação
5 - Comunicação Vertical e Horizontal
6 - Organizações da Imprensa Católica
7 - O Público-alvo
8 - Pascom na Comunidade
9 - Redação (Produção) de uma Notícia
10 - O Cartaz
11 - A Faixa e o Banner
12 - O Quadro-de-Avisos
13 - O Jornal Mural
14 - A Placa e o Display
15 - O Outdoor
16 - O Boletim
17 - O Jornal
18 - A Revista
19 - O Almanaque
20 - A Diagramação
21 - A Reunião e a Ata
22 - O Corpo Fala
23 - O Telefone
24 - A Oratória
25 - A Homilia
26 - O Teatro
27 - A Catequese
28 - O Aviso de Missa
29 - A Equipe Litúrgica
30 - A Música
31 - A Dança
32 - A Igreja
33 - O Rádio
34 - A Fotografia
35 - A História em Quadrinhos
36 - O Entretenimento
37 - A Sonorização
38 - O Vídeo e o DVD
39 - O Cinema
40 - A Televisão
41 - As Relações Públicas
42 - O Marketing
43 - O Congresso
44 - O Computador
45 - A Internet
46 - A WebSite
47 - A Secretária da Paróquia
48 - A Escrituração na Paróquia
- Glossário
- Bibliografia
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Prof. Lourenço Mika
Avenida Jaime Reis, 531
Bairro São Francisco
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